domingo, 28 de setembro de 2008

CASTELO DE PORTO DE MÓS


No alto de uma colina sobranceira à vila de Porto de Mós situa-se o seu elegante castelo, construção que domina e protege os vales em redor e observa as elevações das serras de Aire e Candeeiros. Alcobaça e a Batalha ficam próximas, terras que partilham parte de uma história comum: o recontro de Aljubarrota.As suas poderosas linhas de arquitectura militar são suavizadas pela adaptação a residência senhorial feita nos séculos XV-XVI, conferindo-lhe uma invulgar graciosidade construtiva.Indeterminada é a fundação da vila de Porto de Mós, mas vestígios pré-históricos remetem-na para uma cronologia muito antiga. Mais sólidas são as presenças materiais da romanização, visíveis nos panos de muralha do castelo medieval, com destaque para duas cantarias com inscrições latinas. Visigodos e muçulmanos aqui ergueram barreiras defensivas.D. Afonso Henriques conquista esta praça-forte aos Mouros no decurso de 1148, nomeando seu alcaide D. Fuas Roupinho - cavaleiro que se celebrizou no lendário episódio ocorrido no Sítio da Nazaré. De acordo com a lenda, D. Fuas Roupinho andava à caça e denso nevoeiro se levantou. Quando este se aproximava do abismo, uma poderosa força imobiliza o cavaleiro e sua montada, salvando-os de uma morte mais do que certa.O castelo voltou às mãos dos Árabes, mas o mesmo D. Fuas Roupinho, após estratégica fuga, retoma-o em definitivo. Novos assaltos da mourama assolaram a região, o que levou D. Sancho I a realizar importantes obras de beneficiação. Maiores e mais decisivas foram as remodelações feitas no reinado de D. Dinis.14 de Agosto de 1385 aproximava-se. Dois dias antes, em pleno Verão desse longínquo ano, um exército luso-britânico comandado por D. João I e D. Nuno Álvares Pereira repousava nas redondezas de Porto de Mós. Iam deter o numeroso exército castelhano que se aproximava da região. O dia decisivo chegou e o confronto foi inevitável, dando-se nos campos de Aljubarrota. As armas nacionais obtiveram retumbante vitória.Em sinal de gratidão, a alcaidaria de Porto de Mós passaria para a posse de D. Nuno Álvares Pereira, que, por testamento, a legou a sua filha e seu genro - os primeiros duques de Bragança. O filho destes, D. Afonso, era um diplomata e militar culto e viajado, decidindo transformar a medieval fortaleza em residência palaciana, projecto que os descendentes do conde de Ourém mantiveram e engrandeceram.Contudo, a passagem inexorável do tempo e as catástrofes naturais danificaram com gravidade parte do castelo, particularmente a arruinada fachada virada a norte. Os terramotos de 1755 e, em menor escala, o de 1909 contribuíram para estas graves mutilações, sustidas no presente século pelas obras de conservação e restauro levadas a efeito pela Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.).O castelo-palácio de Porto de Mós desenha uma planta irregular, apresentando em cada um dos seus ângulos uma torre defensiva. As duas que se inserem no pano de muralhas virada a sul são coroadas por coruchéus piramidais verdes, estando as três restantes mutiladas. Os parapeitos das torres e cortinas do castelo são reforçados por contínua e elegante série de mísulas, embora não conservem já o seu remate ameado.A fachada sul apresenta uma sublime combinação de elementos arquitecturais do gótico quatrocentista. Duas torres com janelas flanqueiam-na, dispondo-se no espaço entre ambas dupla varanda com abóbadas de aresta e composta por elegantes arcos conopiais misulados, interrompida ao centro por um saliente contraforte. Vários elementos escultóricos enriquecem esta área e dependências palacianas anexas. No piso térreo rasga-se um amplo portal.Intramuros, observa-se um átrio arruinado que era formado por um pórtico com colunas e pilastras renascentistas, tendo ao centro os muros facetados da cisterna. Portas e janelas rectangulares e ogivais, bem assim como outros elementos construtivos e decorativos, denunciam a coexistência dos diferentes e contrastantes estilos gótico e renascentista, mas nem por isso deixando de revelar uma harmoniosa complementaridade.

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